Projeto Chácara Lane

Projeto Chácara Lane
jul 1, 2020 Rafael Kamada

Projeto Chácara Lane

 

O que sei sobre mim?

Em julho de 1984, acontecia no Parque Lage, no Rio de Janeiro, a exposição “Como vai você, Geração 80?”, com a reunião de 123 artistas, principalmente oriundos do Rio e de São Paulo. Esta exposição pretendia traçar um panorama sobre os rumos da nova geração de artistas brasileiros à época, a par dos desdobramentos da arte internacional em torno da transvanguardia, do pós-pop, do neoexpressionismo e da arte pós-conceitual.

Como era grande a diversidade dos artistas, das técnicas e dos temas empregados, foi igualmente comum, neste momento, a construção de
genealogias artísticas pessoais.

Muitos artistas desta geração, tais como Nuno Ramos, Leonilson, Leda Catunda, Sérgio Romagnolo e outros, além do colecionador João Sattamini,
foram fundamentais (continuam sendo, de fato) à formação do jovem artista paulistano Marcos Amaro. De modo semelhante à dos artistas daquela geração, Marcos também constrói uma genealogia afetiva, artística e ética que lhe permite operar em muitos meios (desenho, gravura, pintura, escultura, instalação), misturando memórias de sua infância ao lado do pai, o aviador e empresário, Comandante Rolim Amaro, com relatos de outros artistas anteriores à referida geração e outros, posteriores, bem como de poetas, escritores, filósofos, músicos. Marcos vai aos poucos construindo um conceito de história a partir do reconhecimento de que a mesma vem em pedaços ou em ruínas, sendo não de todo possível ser recomposta integralmente.

A presente exposição pretende trazer à Chácara Lane, do Museu da Cidade de São Paulo, um conjunto significativo de obras produzidas nos últimos oito anos, no qual o espectador ou partícipe é convidado a buscar a identidade do artista, acompanhando-o na produção incessante de sua genealogia, fictícia, porém congenial.

A exposição contará com dois conjuntos ou séries de desenhos, um conjunto de pinturas, um conjunto de gravuras, uma assemblagem e seis instalações, ocupando o pavimento térreo e superior da casa, assim como a parte exterior (entrada da edificação). Além disso, o artista está propondo concomitantemente à exposição na Chácara Lane, uma instalação na Capela do Morumbi, com a obra “Harpa” (2016).

Luiz Armando Bagolin

 

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